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Quem paga a Ciência?

Deixemos a ideologia de lado e vamos aos fatos

Os EUA é frequentemente tomado como exemplo de país onde as empresas privadas investem nas universidades. Mito. Eis os dados da National Science Foundation.

Investimento público em Ciência nos EUA

É isso mesmo, cerca de 95% de recursos públicos diretos ou indiretos, pois boa parte do dinheiro das ONGs e fundações vem de isenções de impostos.

Boa parte do dinheiro público é distribuído por agências públicas como NASA, NIH, Department of Defense and the Department of Agriculture (USDA) que financiam pesquisas da indústria bélica, de fármacos, do agronegócio. Esse é o capitalismo deles.

Apresentei esses dados no Congresso da ISA, em Gotemburgo, na semana passada.

Se não bastasse isso:

Between 1998-2005 67% of all US firms did not pay taxes / US$ 875 billion were not paid (GAO, 2008)
a portion of which were turned into fiscal credits used for investment in research.
(*The study covered 1.3 million firms, with sales amounting to US$ 2,5 trillions)

Isso mesmo, a maior parte das empresas não paga quaisquer impostos nos Estados Unidos – os cidadãos sim, e ainda tem que pagar caro para estudar, por material didático e por remédios.

Esses dados são citados no meu paper que crítica as políticas da OAI por discutirem os copyrights na ciência e não baterem o pé na questão do financiamento público.

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Licenciamento Compulsório e legalização da pirataria de rua

Uma forma de resolver o problema da pirataria de rua é defender o licenciamento compulsório de obras protegidas por direito autoral. Qualquer obra poderia ser comercializada desde que houvesse um pagamento padrão de 10% sobre o valor da venda. Isso incluiria os lançamentos.

Os camelôs teriam que manter um talão para controle. A arrecadação iria direto para uma agência pública, que faria a redistribuição – inclusive é isso que querem muitas artistas e o MinC, no lugar do suspeito ECAD.

Isso colocaria um fim à infração penal e cívil da pirataria. Uma proposta como essa resolveria o problema dos vendedores de rua, ao mesmo tempo que vincula a receita obtida diretamente ao artista e não à indústria. De quebra acabaria com a base monopolista sobre os copyrights.

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Propriedade Intelectual e Feudalismo Informacional

Peter Drahos é professor de Direito e Diretor do Centre for the Governance of Knowledge and Development in the Regulatory Institutions Network (RegNet) da Australian National University (Camberra). Atualmente tambpem tem a cátedra de “Intellectual Property” na Universidade de Londres. Ele é um crítico peso-pesado que se dedica a criticar e denunciar o dano que a “propriedade intelectual” causa a sociedade.

Trecho de seu livro

“Feudalismo informacional é um regime de direitos de propriedade que não é economicamente eficiente e não consegue um balanço gratificante entre a inovação e difusão …Torna “democráticos” cidadãos que saqueiam o conhecimento que deve ser património comum da humanidade, que é um direito educacional de nascimento. Ironicamente, o feudalismo informacional, através do desmantelamento da publicidade do conhecimento, acabarão por roubar da economia do conhecimento de grande parte da sua produtividade.”
Information Feudalism (with John Braithwaite), 2002

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Quando a Microsoft deve ao mundo? (parte 1)

O objetivo dessa série de textos é falar sobre quanto a Corporação Microsoft deve ao mundo, considerando que há cerca de 1 bilhão de máquinas rodando com seus sistemas operacionais permeados de problemas de segurança e ineficiência, além das práticas lesivas a consumidores e mercados.

Para avaliar isso, consideraremos:

* as perdas de eficiência na comunicação,
* o baixo performance no processamento da informação,
* o gasto desnecessário de energia para processar (código-lixo)
* as perdas econômicas que indivíduos e cidadãos têm
* O lixo ecológico gerado pelos equipamentos que são precocemente dispensados
* As práticas monopolistas lesivas ao interesse público

Falamos de cerca 1 bilhão de máquinas, o prejuízo público e os valores envolvidos são instigadores para qualquer mente crítica.

Lixo informacional da M$ gera poluição ambiental

Em 2008, foi superada a marca de 1 bilhão de computadores em uso no mundo. A marca de 2 bilhṍes deve ser alcançadas daqui há 5 anos (Forrester Forecast, 2007). Hoje, provavelmente, cerca de 85% das máquinas usam Windows. Sabe-se que a Microsoft (M$) é uma companhia monopolista com uma das piores e mais lesivas práticas que se conhece no capitalismo moderno. Isso pois o custo de seu programa é de cerca de 100 vezes o custo marginal de seu produto (ou seja, o preço da mídia). Dentro da teoria econômica, não existe outra distorção comparável.

Há anos atraś já se estimava que 45 mil toneladas de CO2 poderiam ser deixadas de ser levadas ao ar se o sistema operacionais da M$ fosse mais eficientes.

(Continua… Segura que vem mais)

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